Desde pequenos, vamos aprendendo quem somos pelos olhares e frases que recebemos:
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“Você é esperto.”
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“Você é difícil.”
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“Você é sensível.”
Com o tempo, esses comentários viram rótulos internos. Não são só palavras: viram parte da nossa identidade.
A psicanálise ajuda a entender isso. Lacan diz que o “eu” nasce no espelho do outro: é pela imagem e pela palavra do outro que começamos a nos reconhecer. Winnicott fala do rosto do cuidador como primeiro espelho: se esse olhar acolhe, nasce um self verdadeiro; se esse olhar rejeita ou ignora, a pessoa aprende a se adaptar demais, criando um self falso, feito para agradar.
Heinz Kohut, por sua vez, mostra que elogios, críticas e silêncios funcionam como espelhos que regulam nossa autoestima. Quando falta espelhamento empático na infância, crescemos com mais fome de reconhecimento, mais sensíveis a qualquer sinal de aprovação ou rejeição.
E a sociologia lembra: grande parte do que acreditamos ser é construída no espelho social – na forma como imaginamos que estamos sendo vistos, tanto na vida real quanto nas redes sociais.
A questão não é “parar de ligar para a opinião dos outros”, mas entender como e por que isso nos afeta tanto. A partir daí, podemos:
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reconhecer rótulos que grudaram e já não fazem sentido;
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buscar relações mais saudáveis, que espelhem nosso valor real;
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cuidar das palavras que oferecemos a quem convive conosco.
Ninguém se inventa sozinho — mas podemos escolher melhor os espelhos que nos definem.

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