Nunca nos ensinaram a habitar o próprio sistema nervoso

 

Por que a cultura da produtividade nos ensinou a silenciar o sistema nervoso

Nunca nos ensinaram a viver dentro do nosso sistema nervoso. Ensinaram-nos, ao contrário, a anulá-lo.

Desde cedo aprendemos a perseverar, continuar, suportar. A atravessar o cansaço como se fosse virtude. A chamar o colapso de fraqueza e a tensão constante de produtividade. Fomos educados a admirar a resistência — mesmo quando o corpo gritava em silêncio, numa língua que ninguém parecia disposto a aprender.

Essa pedagogia do excesso não nasce do indivíduo. Não se trata de falta de força de vontade, nem de incapacidade pessoal. Trata-se de um condicionamento cultural profundo, inscrito no modo como organizamos o trabalho, o tempo, o sucesso e até a ideia contemporânea de saúde mental.

O corpo fala antes do sujeito

Na lógica dominante, sentir demais é um problema. Pausar é suspeito. O corpo só é bem-vindo quando obedece.

A psicanálise nos lembra de algo fundamental: o sujeito não começa no pensamento racional. Antes da palavra, antes do discurso consciente, há o corpo. Há tensão, descarga, defesa, colapso. Há sistema nervoso.

O sistema nervoso não é uma abstração teórica. Ele é feito de sal, água e eletricidade. Ele se manifesta no modo como a mandíbula se contrai antes que a mente reconheça o medo. No aperto no peito que surge antes que uma lembrança encontre palavras. Na respiração que encurta antes mesmo de sabermos por quê.

Freud já apontava que o sintoma é uma forma de linguagem. Winnicott mostrou que o corpo guarda a memória do ambiente. Lacan radicaliza essa ideia ao afirmar que o inconsciente não pensa — ele insiste.

O corpo reage antes que o “eu” consiga organizar uma narrativa.

Antes da lógica, antes da crença

O sistema nervoso é ancestral. Mais antigo que a lógica. Mais antigo que a moral. Mais antigo até que a crença religiosa. Ele não responde a discursos motivacionais, nem a ordens internas como “seja forte”, “aguente mais um pouco” ou “não sinta isso agora”.

Quando ignorado por muito tempo, ele encontra outras vias de expressão: ansiedade difusa, fadiga crônica, insônia, irritabilidade, dissociação, sintomas psicossomáticos. Não como falha, mas como tentativa de sobrevivência.

Aquilo que chamamos de “descontrole” muitas vezes é o corpo tentando restaurar um limite que nunca foi respeitado.

Habitar o próprio sistema nervoso

Aprender a viver dentro do próprio sistema nervoso não é fraqueza. É um gesto profundamente ético. Significa reconhecer que não somos apenas sujeitos de desempenho, mas organismos sensíveis, atravessados por história, afeto e memória.

Na clínica, isso aparece quando o sujeito começa a escutar o corpo sem imediatamente silenciá-lo. Quando a tensão deixa de ser interpretada como defeito moral e passa a ser compreendida como mensagem. Quando o sofrimento deixa de ser tratado como inimigo e passa a ser reconhecido como sinal.

Talvez o verdadeiro trabalho psíquico do nosso tempo seja este: reaprender a escutar o que sempre esteve falando.

Não para romantizar a dor.
Mas para interromper o ciclo que transforma exaustão em virtude e adoecimento em fracasso pessoal.

Habitar o próprio sistema nervoso é, no fundo, reaprender a existir com mais verdade.

Explorando a Ocitocina: O Hormônio do Amor

Saúde e Espiritualidade Holística

Ocitocina é um hormônio vital no corpo humano, promovendo sensações reconfortantes durante interações sociais e físicas.

Também conhecida como o "hormônio do amor", a ocitocina, em conjunto com outros neurotransmissores, reduz os níveis de ansiedade e estresse em interações sociais. Além disso, está associada ao desenvolvimento de confiança, generosidade e empatia, contribuindo para a satisfação sexual tanto em homens quanto em mulheres.

Além de seu papel nas interações sociais, a ocitocina desempenha funções essenciais na reprodução, como a secreção do leite materno e a facilitação das contrações uterinas durante o parto.

Uma pesquisa recente publicada na revista iScience revelou que este hormônio é fundamental na formação de laços sociais. Durante o estudo, a ocitocina foi administrada a leões, resultando em comportamentos mais amigáveis entre os animais.

Isso ocorre porque a ocitocina regula a expressão de comportamentos sociais e emocionais, sendo proposta como tratamento farmacológico para doenças psiquiátricas, como autismo e esquizofrenia.

Hormônios e Comportamento: Uma Perspectiva Integral


Os hormônios produzidos pelo corpo desempenham funções vitais nos processos biológicos e influenciam diretamente o comportamento e o humor.

Essas substâncias químicas atuam como mensageiros no organismo, regulando diversos processos metabólicos. Viajando pela corrente sanguínea, controlam o desenvolvimento, equilíbrio interno e bem-estar. No entanto, alterações hormonais podem ter impactos significativos na saúde e no comportamento.

Embora muitos acreditem ter controle total sobre suas ações e pensamentos, somos influenciados pelos níveis hormonais do corpo. Desequilíbrios hormonais podem levar a condições como depressão e alterações na percepção da realidade.

Principais Hormônios e suas FunçõesTestosterona (hormônio masculino)
  • Progesterona (hormônio feminino)
  • Adrenalina (estimula o sistema nervoso simpático)
  • Dopamina (responsável por sensações de motivação e prazer)
  • Insulina (regula a absorção de glicose pelas células)
  • Melatonina (regula os ritmos do corpo, principalmente o sono)
  • Serotonina (regula o apetite e a atividade sexual)

A Molécula da Moralidade


Paul Zak, pós-doutor em Neuroimagem pela Universidade Harvard e autor do livro "A Molécula da Moralidade", argumenta que existe uma base biológica para as ações morais.

Conhecido como Dr. Amor, Zak apresenta resultados de seus estudos, que destacam o papel da ocitocina na promoção de comportamentos morais, como confiabilidade, sacrifício, generosidade e empatia, bem como o respeito às leis. Assim, a molécula da ocitocina contribui para o debate sobre a natureza humana.

Em seu TED Talk, Zak descreve como descobriu essa "molécula moral", examinando as decisões das pessoas em relação ao dinheiro para entender sua tomada de decisões, um campo que ele chama de neuroeconomia.

Por meio de seus estudos, Zak demonstrou que a manipulação da química cerebral pode tornar as pessoas mais moralmente inclinadas.


Explorando a Fronteira entre Saúde Mental e Espiritualidade Holística

Saúde e Espiritualidade Holística

A interseção entre saúde mental e espiritualidade holística é um tema intrigante e complexo, e o podcast "PSICANALISTA: DOENÇAS MENTAIS NÃO EXISTEM | Lutz Podcast" oferece uma perspectiva crítica sobre essa conexão. Neste artigo, exploraremos os principais insights apresentados, questionando conceitos tradicionais e destacando a importância de uma abordagem holística para compreender e tratar as questões de saúde mental.

1. Desafiando Conceitos Tradicionais: O podcast inicia provocando uma reflexão profunda sobre a natureza das doenças mentais, questionando se elas podem ser verdadeiras doenças. Desafia a concepção convencional de doenças como processos biológicos com início, meio e fim, sugerindo que essa definição pode não ser aplicável aos transtornos mentais.

2. Marcadores Biológicos e a Subjetividade dos Transtornos Mentais: Uma distinção crucial é feita entre doenças tradicionais, com marcadores biológicos identificáveis, e transtornos mentais, que carecem de testes definitivos. Destaca-se a subjetividade desses transtornos, onde os diagnósticos não dependem da descrição, diferentemente das doenças biológicas.

3. Evolução dos Diagnósticos Psiquiátricos: O podcast aborda a evolução histórica dos diagnósticos psiquiátricos, destacando o DSM-5 e a adoção de convenções para padronizar diagnósticos em diferentes contextos culturais. Levanta questionamentos sobre a validade de categorizar transtornos com base em critérios convencionais.

4. Sofrimento Psicológico e Convenções de Nomenclatura: Explora-se o impacto das convenções de nomenclatura no sofrimento psicológico, ressaltando a influência da interpretação e rótulos nas experiências individuais. Questiona-se a prática de rotular condições mentais como transtornos e enfatiza a importância de informar sobre a natureza arbitrária dessas convenções.

5. Crítica à Medicalização e Abordagens de Tratamento: Uma crítica contundente é direcionada à medicalização da saúde mental e ao uso excessivo de medicamentos, sem considerar o contexto mais amplo da vida dos indivíduos. Destaca-se a necessidade de uma abordagem holística, considerando não apenas os sintomas, mas também as formas de vida, relações e a espiritualidade.

O podcast oferece uma visão desafiadora e crítica sobre a relação entre saúde mental e espiritualidade holística. Ao questionar conceitos tradicionais, destacar a importância das convenções de nomenclatura e criticar abordagens excessivamente medicalizadas, ele instiga uma reflexão profunda sobre como compreendemos e tratamos as questões de saúde mental. Em um mundo onde a espiritualidade e a saúde mental se entrelaçam, a abordagem holística proposta no podcast pode oferecer novas perspectivas e caminhos para o bem-estar integral.

Para mais insights sobre saúde mental e espiritualidade holística, xxplore as fronteiras do entendimento tradicional e embarque em uma jornada de reflexão sobre o equilíbrio entre corpo, mente e espírito.

Perdoar os outros para ajudar a melhorar sua saúde

Guardar rancor é como beber veneno e esperar a outra pessoa morrer. 

De certa forma, isso não está longe da verdade. Como uma história da Stanford Magazine explica, deixar de lado as mágoas e sentimentos vingativos causados ​​por outras pessoas (ou até por você) pode beneficiar sua saúde mental e física.

Fred Luskin , PhD, estuda o perdão e como isso afeta a saúde humana há décadas. Como ele explica na história de Charity Ferreira, quando uma mágoa passada não é resolvida, pensar nela desencadeia substâncias químicas de estresse que causam sofrimento físico.

"Quando você se lembra com frequência, está estressando seu corpo de forma crônica", diz Luskin. "Isso tem um custo físico", que se multiplica quanto mais você pensar nele.

O perdão é essencial em relacionamentos de longo prazo, como casamentos, famílias, relacionamentos comerciais e amizades, diz Luskin. Aqui estão algumas das oito dicas de Luskin para promover o perdão nos relacionamentos com os outros.

Não se preocupe, você não está dizendo que o "crime" foi bom. O perdão não tolera ou dá a alguém um passe por mau comportamento.

"Você não dá desculpas pelo comportamento", diz Luskin. "Você simplesmente aceita e faz as pazes. Isso é muito diferente."

Lembre-se de por que você quer essa pessoa em sua vida. Isso se aplica apenas a relacionamentos saudáveis, enfatiza Luskin. Para relacionamentos saudáveis ​​em que você deseja permanecer, tempere a mágoa que uma pessoa lhe causou, lembrando-se das coisas boas que elas fizeram.

Definir limites. Aprenda a dizer gentilmente, mas com firmeza: "O que você fez não está bem", diz Luskin.

Reconheça que você está contando a si mesmo uma história que pode ser alterada. Considere explicações alternativas. Se você está dizendo a si mesmo que seu amigo, parceiro, parente ou colega o machucou deliberadamente, pergunte se isso é verdade. Talvez eles estivessem fazendo o melhor que podiam na época.

Faça de você o herói. O perdão pode capacitá-lo. "Quando você diz a si mesmo: 'O único que vai me resgatar sou eu', isso cria um tipo de eficácia heróica", diz Luskin. "Em vez de ser limitado ou com medo, você tem uma sensação de 'eu sei que posso lidar com as dificuldades'".

É importante lembrar que "as pessoas não são substituíveis", diz Luskin. "Praticamente todo relacionamento em que você já conheceu exige perdão para se manter."

Fonte: Scope

O que faz com que meus pés fiquem repentinamente entorpecidos?

P. Meus pés formigam ou ficam dormentes como se estivessem dormindo às vezes, principalmente quando estou na cama ou com as pernas elevadas. O que causa isso?
R. Os sintomas que você descreve podem estar relacionados à neuropatia periférica, que é um dano neural que afeta vários nervos que levam da medula espinhal aos braços e pernas. Os sintomas costumam ser iguais nos dois pés. Se apenas um pé ou parte de um pé for afetado, isso sugere a compressão de um nervo individual.
Outra possibilidade de formigamento ou dormência nos pés com a elevação das pernas é a má circulação, mas isso geralmente é acompanhado por cãibras nas pernas durante a caminhada e mudanças de cor nos pés (pálido ou branco quando elevado, e vermelho quando abaixado).
Verifique com seu médico, pois a neuropatia periférica pode ser causada por muitas condições médicas, incluindo diabetes, consumo excessivo de álcool e deficiências nutricionais. Certos medicamentos, como alguns antibióticos e quimioterápicos, também podem levar à neuropatia. Às vezes, as polineuropatias são hereditárias. Cerca de um em cada quatro casos não tem uma explicação clara.
Seu médico pode suspeitar de neuropatia após fazer um exame neurológico e determinar que você tem perda de sensibilidade em seus pés. Se necessário, o diagnóstico pode ser confirmado com testes adicionais (velocidade de condução nervosa e eletromiografia). O seu médico procurará uma causa subjacente tratável para a neuropatia. Quer seja encontrado ou não, existem vários medicamentos disponíveis que podem ajudar a melhorar os sintomas. Eles muitas vezes podem aliviar a dor, mas podem não aliviar a dormência ou formigamento.
por William Kormos, MD, Editor chefe, Harvard Men's Health Watch