Mel de Urze: propriedades medicinais e simbolismo celta

Saúde e Espiritualidade Celta

O mel sempre foi visto como um alimento sagrado e um verdadeiro remédio da natureza. Entre os diferentes tipos, o mel de urze se destaca tanto pelo sabor intenso quanto por suas qualidades medicinais e pelo simbolismo espiritual ligado à cultura celta.

O que é o mel de urze?

O mel de urze é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores da urze (Calluna vulgaris), uma planta típica das charnecas e campos da Europa. Sua cor é âmbar escuro, com notas florais e terrosas, e uma textura característica, mais encorpada e gelatinosa.

Esse mel é considerado raro porque a urze floresce em regiões específicas e por um período limitado, o que torna sua colheita especial.

Propriedades medicinais

Estudos científicos apontam que o mel de urze possui:

  • Ação antibacteriana – ajuda no cuidado de feridas e prevenção de infecções.
  • Poder antioxidante – combate radicais livres e fortalece o sistema imunológico.
  • Efeito anti-inflamatório – útil em processos respiratórios, digestivos e no alívio de dores leves.
  • Propriedades calmantes – tradicionalmente usado em infusões e xaropes para relaxamento.

Não por acaso, em muitas regiões ele é chamado de “mel medicinal”, sendo valorizado tanto como alimento funcional quanto como aliado natural para a saúde.

Simbolismo da urze na cultura celta

Na tradição celta, a urze carrega significados profundos:

  • Proteção espiritual – ramos de urze eram usados como amuletos de sorte, especialmente em casamentos.
  • Conexão com os ancestrais – a planta das charnecas era associada ao limiar entre mundos, sendo utilizada em rituais de memória e comunhão com os mortos.
  • Resiliência e vitalidade – por crescer em solos pobres e resistir ao vento, simboliza força interior e persistência.

Para os povos celtas, a urze não era apenas uma planta medicinal, mas também um elo espiritual entre os vivos, os ancestrais e a própria terra.

Um presente da natureza e da tradição

O mel de urze é, portanto, um alimento que une saúde e espiritualidade: fortalece o corpo com suas propriedades naturais e nutre a alma ao nos conectar com a sabedoria ancestral celta.

Consumir esse mel ou utilizá-lo em rituais de bem-estar é uma forma de honrar tanto o trabalho das abelhas quanto a herança simbólica que atravessou séculos.

Psicanálise e Linguagem: Como Falamos e Nos Escutamos

Saúde e Espiritualidade Holística

Você já parou para pensar se o ser humano sempre falou? Ou se a linguagem foi algo que criamos, aos poucos, para viver em sociedade? E mais: qual é a importância da linguagem para a psicanálise, especialmente na hora de ouvir quem busca ajuda?

Essas perguntas são fundamentais para entender como a psicanálise, principalmente a linha de Jacques Lacan, se relaciona com a linguística para aprofundar o estudo do ser humano, do desejo e dos sintomas.

Para Lacan, a linguagem não é só um jeito de comunicar ideias. Ela é a base de todo o trabalho analítico. Como ele mesmo disse: “Falar já é entrar no objeto da experiência analítica.”

Neste artigo, vamos caminhar por alguns momentos importantes da história da linguagem e ver como isso ajuda a entender a escuta analítica na psicanálise.

A linguagem é uma construção coletiva

Muito antes de existir qualquer teoria sobre a linguagem, o ser humano já precisava sobreviver, se relacionar, avisar sobre perigos e contar histórias. A fala não nasceu pronta: ela foi se formando aos poucos, junto com a evolução da nossa espécie.

A professora Ana Josefina Ferrari, especialista em linguística, lembra que nem sempre existiu fala como conhecemos hoje. No começo, as pessoas usavam sons, gestos e sinais para indicar coisas importantes, como animais perigosos, comida ou alertas.

Com o tempo, esses sons foram ganhando forma e sentido. Assim nasceram as palavras e, depois, frases mais elaboradas. A linguagem foi se tornando cada vez mais complexa, acompanhando as necessidades do ser humano de se entender e de conviver em grupo.

As primeiras histórias e as paredes que falam

Em algum momento, nossos antepassados começaram a fazer mais do que gritar ou apontar. Eles quiseram contar o que viram e viveram. Foi aí que surgiu a narrativa: a necessidade de guardar memórias e passar adiante o que aconteceu.

As pinturas nas cavernas são um exemplo disso. Mais do que desenhos, elas são registros de histórias: caçadas, rituais, cenas do dia a dia. Essas imagens são uma forma de linguagem visual, que mostra o desejo humano de comunicar algo que vai além do momento presente.

Linguagem: um desafio humano

Ao contrário dos animais, que só reagem por instinto, o ser humano cria símbolos e palavras para dar forma ao que sente e pensa. Isso nem sempre é fácil — na verdade, como diz a professora Ana Ferrari, “a linguagem é um problema para o ser humano”.

Por quê? Porque nem tudo o que sentimos ou pensamos consegue ser dito exatamente como é. Muitas vezes, usamos palavras para tentar expressar algo que ainda não sabemos direito como falar. E é nesse “vazio” entre o que queremos dizer e o que conseguimos falar que surgem muitos dos nossos conflitos.

Antes da ciência, a curiosidade

Muito antes da linguística se tornar uma área de estudo, com nomes como Ferdinand de Saussure, as pessoas já se perguntavam o que é a linguagem e como ela funciona. Essa mesma curiosidade move a psicanálise até hoje.

Na psicanálise, o que alguém fala (ou não fala) mostra muito do que se passa no inconsciente. O sentido da fala pode mudar, a interpretação pode ser diferente para cada pessoa. E é nessa troca — entre quem fala e quem ouve — que a psicanálise atua.

Para concluir: a linguagem nos faz humanos

A fala é algo que construímos juntos e que continua mudando o tempo todo. Desde o primeiro grito até as conversas de hoje, a linguagem carrega nossa história, nossas dores, nossos sonhos.

Entender que a linguagem é uma criação, cheia de falhas e possibilidades, é um passo importante para quem se interessa por psicanálise. É através dela que nos mostramos, nos escutamos e, muitas vezes, encontramos caminhos de cura.

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Você Está Conectado com Você Mesmo?


Brigar pelo Wi-Fi é compreensível em tempos digitais. Afinal, estamos cada vez mais dependentes da internet para trabalhar, aprender, socializar e até descansar.

No entanto, por trás desse impulso quase automático de buscar conexão externa, existe uma pergunta silenciosa e poderosa: “Será que estamos conectados conosco mesmos?”

Estar Online Não Significa Estar Presente

Vivemos rodeados por redes, sinais e dados, mas muitas vezes distantes do que sentimos, pensamos e precisamos. Estar online não é o mesmo que estar presente. E nenhuma conexão externa supre a ausência de um eu que ainda não nos escutou.

Nos tornamos experts em atualizar feeds, mas esquecemos de atualizar nossos afetos. A ansiedade por conexão pode ser, na verdade, um pedido de escuta interior. E nessa escuta mora o verdadeiro sinal de vida: o autoconhecimento.

Conectar-se Internamente: Um Ato Revolucionário

Psicanaliticamente falando, há um sujeito dividido que busca reconhecimento — não apenas dos outros, mas de si mesmo. A conexão verdadeira começa quando nos permitimos sentir, elaborar e simbolizar aquilo que pulsa em nosso inconsciente.

Buscar Wi-Fi faz sentido. Mas buscar-se é essencial.

Porque brigar pelo sinal de Wi-Fi se não conseguimos conectar com nós mesmos?

Dicas para Reconectar-se com o Eu

  • Desligue os aparelhos por alguns minutos por dia e silencie o mundo externo.
  • Pratique a escuta interna: escreva o que sente sem filtros.
  • Busque apoio terapêutico se sentir-se desconectado emocionalmente.
  • Medite, respire, caminhe em silêncio – o corpo também precisa se ouvir.

Estar consigo mesmo é um gesto de cuidado. É um sinal forte de que algo em você deseja ser visto, escutado e acolhido.

Este artigo faz parte do projeto de integração entre Psicologia, Espiritualidade e Reflexão Digital do blog Saúde e Espiritualidade Holística.

Nibiru: O Retorno do 12º Planeta


Você já ouviu falar de Nibiru, o misterioso 12º planeta? Segundo relatos, ele possui uma órbita elíptica que o faz retornar ao nosso sistema solar a cada 3.600 anos, interagindo com os planetas e influenciando eventos cósmicos e espirituais.

Algumas teorias apontam Nibiru como o lar dos Anunnakis, seres que teriam visitado a Terra em tempos antigos, contribuindo para o desenvolvimento da humanidade. Essas ideias são exploradas em obras como "The Pleiadian Agenda", que relaciona Nibiru à disseminação de consciência através do cosmos.

Embora a ciência tradicional não reconheça oficialmente a existência de Nibiru, muitas culturas antigas e textos esotéricos mencionam um corpo celeste com características semelhantes. Isso nos convida a refletir sobre os mistérios do universo e nosso papel nele.

A jornada de Nibiru pelo cosmos nos inspira a buscar conhecimento e expandir nossa consciência. Se você se interessa por temas como este, convidamos você a explorar mais conteúdos em nosso canal do YouTube:

Os Anéis de Achnabreck: Portais Espirituais na Tradição Celta

Saúde e Espiritualidade Holística


Os anéis de Achnabreck, localizados na Escócia, são mais do que simples marcas na rocha. Eles representam um legado ancestral envolto em mistério, espiritualidade e profunda conexão com a Terra. Embora sejam anteriores à civilização celta histórica, sua simbologia ecoa diretamente nos fundamentos do Druidismo e das práticas espirituais celtas modernas, como o Reiki Celta e o Sistema Integrativo de Energias Celtas (SIEC).

O Simbolismo Celta do Círculo e da Espiral


Na espiritualidade celta, o círculo é o símbolo da eternidade, do equilíbrio e da unidade entre os mundos. Já a espiral representa a jornada da alma, a expansão da consciência e os ciclos da vida, da morte e do renascimento.

Os anéis concêntricos de Achnabreck refletem essa sabedoria ancestral. São vistos como portais, espelhos da alma e registros etéricos de uma espiritualidade antiga que se comunica ainda hoje com os buscadores do caminho celta.

Um Lugar de Poder: O uso sagrado da paisagem

Os celtas, especialmente os druidas, reconheciam certos locais como portadores de energia telúrica. Locais com arte rupestre, como Achnabreck, eram (e ainda são) vistos como pontos de conexão entre o visível e o invisível.
  • São considerados lugares de passagem entre os mundos.
  • Potenciais pontos de contato com os sídhe (seres espirituais).
  • Espaços para rituais, invocações e cura com as energias da Terra.


Achnabreck como Espelho da Cosmologia Celta

As marcas podem representar, simbolicamente:
  • Os três mundos célticos: Céu (espiritual), Terra (humano) e Submundo (ancestral).
  • As tríades druidas: corpo-mente-espírito; nascimento-vida-morte; espírito-alma-ser.
Essa estrutura ecoa profundamente nos princípios do Reiki Celta, onde os símbolos, as árvores e os ciclos da Lua são caminhos para a reconexão com o Sagrado.

Achnabreck no SIEC e no Reiki Celta

No contexto do Sistema Integrativo de Energias Celtas (SIEC) e do Reiki Celta, os anéis de Achnabreck podem ser utilizados como:
  • Mapas de meditação energética (visualizações em espiral).
  • Símbolos de expansão da consciência e da aura.
  • Representações dos ciclos de iniciação druídica e dos níveis espirituais.
Podem também ser associados a certas árvores do Ogham e às ervas etéricas, sendo usados como ferramentas visuais para sintonização energética.

Os anéis de Achnabreck são testemunhos silenciosos de uma espiritualidade que fala através da pedra, do símbolo e da energia. Ao resgatar seus significados sob a ótica celta, relembramos que a Terra guarda registros sagrados para aqueles que sabem ouvir — e sentir.

Que possamos, como celtas modernos, reencontrar nesses anéis a memória viva da espiritualidade ancestral.

Conheça três técnicas simples para desacelerar a mente

Brasil é o quarto país mais estressado do mundo; descubra práticas fáceis para aliviar a mente e o corpo


Nos últimos anos, o índice de preocupação dos brasileiros com a saúde mental cresceu consideravelmente. Segundo o instituto de pesquisa Ipsos, em 2018, apenas 18% das pessoas citavam o bem-estar emocional como uma preocupação de saúde. Com a pandemia, o número saltou para 40% em 2021, subindo ainda mais em 2024, atingindo 54%.

O novo relatório global World Mental Health Day 2024, organizado pelo Ipsos, aponta que o Brasil é o quarto país mais estressado do mundo. Por aqui, 77% da população já refletiu sobre a importância de incorporar na rotina os cuidados com a saúde da mente.

Vida mais leve

Uma aliada para essa gestão do bem-estar emocional é a fisioterapia. Comumente associada à reabilitação física, essa ciência oferece muitos benefícios para o alívio de sintomas emocionais também.

Veja 3 técnicas simples que contribuem para a saúde mental

1) Respiração diafragmática

Essa é uma técnica fácil de ser realizada. Auxilia na melhora da oxigenação do corpo, no relaxamento da mente e controle da ansiedade.

Para executar, basta deitar-se em um local confortável, colocar uma mão sobre o abdômen e inspirar profundamente o ar pelo nariz e soltar lentamente pela boca, sentindo a barriga expandir e contrair. Essa respiração concentrada pode ser repetida por cinco a dez minutos, até sentir que a mente está desacelerando.

2) Alongamento

O alongamento também é uma prática simples e que, com poucos minutos por dia, já proporciona muitos benefícios.

O estresse muitas vezes causa tensão muscular, especialmente nos ombros, pescoço e costas. Ao alongar essas regiões, é possível aliviar essa pressão. Além disso, o alongamento ajuda na circulação sanguínea, na postura e aumenta a consciência corporal.

3) Automassagem

A automassagem, como o nome já sugere, consiste em aplicar pressão nos próprios músculos para aliviar tensões, dores e promover o relaxamento.

Lithium e o Equilíbrio Emocional na Saúde Mental 2025

Saúde e Espiritualidade Holística

Em um mundo cada vez mais acelerado e digitalizado, os desafios da saúde mental em 2025 exigem reflexões profundas sobre como lidamos com nossas emoções. A música "Lithium", da banda Evanescence (clipe abaixo), nos oferece um panorama emocional que continua extremamente relevante. A letra aborda a luta interna entre anestesiar a dor emocional ou vivenciá-la plenamente, um dilema que muitas pessoas enfrentam na contemporaneidade, especialmente em meio ao aumento de transtornos como depressão e ansiedade.

O trecho "I want to stay in love with my sorrow" reflete a conexão paradoxal que temos com nossas dores: enquanto buscamos alívio, muitas vezes hesitamos em abandonar sentimentos que definem nossa identidade. Essa perspectiva nos leva a uma questão essencial na saúde mental moderna: como encontrar equilíbrio entre enfrentar o sofrimento e preservar nossa autenticidade? Em 2025, o conceito de saúde holística ganha força, defendendo abordagens integrativas que conectem corpo, mente e espírito para promover bem-estar emocional sustentável.

Além disso, a simbologia presente em "Lithium" nos lembra da importância de enxergar nossas emoções como águas que fluem. Em vez de reprimi-las ou temê-las, devemos aprender a navegar por elas com autocompaixão e resiliência. Práticas como a meditação, o Reiki e as terapias complementares têm se mostrado ferramentas poderosas para equilibrar o inconsciente e trazer clareza para a mente, ressignificando nossas dores de maneira construtiva.

Portanto, "Lithium" nos inspira a acolher nossos desafios emocionais com coragem e sabedoria. Em 2025, enfrentar os altos e baixos da vida de forma consciente é mais do que uma necessidade; é um ato de amor-próprio. Busque apoio, conecte-se consigo mesmo e lembre-se de que a verdadeira saúde mental vai além da ausência de sofrimento – ela está em viver plenamente, com equilíbrio entre razão e emoção.

O Conceito de Body Horror e a Psicanálise

Saúde e Espiritualidade Holística

O filme A Substância (The Substance) é um exemplo marcante do gênero body horror, que explora a transformação e deterioração física do corpo humano. Ao analisá-lo à luz da psicanálise, podemos compreender como essas imagens perturbadoras refletem ansiedades e conflitos profundos relacionados à identidade, ao inconsciente e à relação com o próprio corpo.

O body horror se caracteriza pela desconstrução dos limites do corpo, com mutações grotescas que provocam terror e repulsa. Na psicanálise, essa violação física do corpo pode ser interpretada como uma manifestação de angústias psíquicas e simbólicas. 

O filme A Substância traz à tona esse medo profundo da perda de controle sobre o corpo, evocando uma série de conceitos psicanalíticos que nos ajudam a compreender o impacto psicológico e emocional do gênero.

O Estranho ("Das Unheimliche") de Freud

Sigmund Freud desenvolveu o conceito de “Das Unheimliche”, traduzido como "o estranho", para explicar a sensação de inquietação e desconforto quando algo familiar se torna assustador. No body horror, o corpo humano, que normalmente representa um lugar de segurança e controle, é transformado em algo terrível e desconhecido. No filme A Substância, essa transformação física evoca medos inconscientes sobre a integridade e controle do corpo, expondo vulnerabilidades profundas.

O Real Lacaniano

De acordo com Jacques Lacan, o Real é uma dimensão da experiência que não pode ser simbolizada ou compreendida completamente. No body horror, as mutações corporais são uma forma de o Real invadir a vida dos personagens, representando algo incontrolável e incompreensível. O corpo, que deveria ser um espaço de identificação e controle, torna-se um território de caos. No caso de A Substância, a mutilação física representa essa ruptura entre o simbólico e o Real, revelando a impossibilidade de controle completo sobre a própria existência.

Angústia de Castração e a Destruição do Corpo

A destruição do corpo, um elemento chave no body horror, pode ser vista como uma representação simbólica da angústia de castração, um medo profundo de perda de controle e integridade física. O filme ilustra esse medo primal, ao retratar o corpo em processo de desintegração e perda de sua forma original. Isso conecta o espectador a uma ansiedade universal: a fragilidade e vulnerabilidade do corpo humano.

Abjeção: O Corpo como Lixo

A filósofa e psicanalista Julia Kristeva desenvolveu o conceito de abjeção para descrever a repulsa gerada por aquilo que transgride as fronteiras entre o eu e o que é considerado “não-eu”. No body horror, o corpo é mostrado de forma abjeta, violando a ordem e o que é socialmente aceito. Sangue, carne e fluidos corporais expostos tornam-se um lembrete da fragilidade humana. No filme, o abjeto é explorado de maneira visceral, criando uma experiência psicológica e emocional de desconforto e horror.

Escolas Psicanalíticas e o Body Horror

As diferentes escolas da psicanálise oferecem visões valiosas para entender o body horror, mas é a escola lacaniana e as teorias pós-estruturalistas que melhor explicam os fenômenos retratados em A Substância. Lacan, com sua ênfase na relação entre o simbólico, o imaginário e o Real, ajuda a interpretar como a mutação do corpo revela aspectos do inconsciente e do trauma.

Julia Kristeva, com sua teoria da abjeção, também fornece uma leitura poderosa para entender o terror causado pela violação dos limites do corpo. A repulsa e o desconforto gerados pelo filme estão diretamente ligados à ideia de que o corpo pode se tornar algo “não humano”, rompendo as fronteiras da identidade e da ordem social.

O filme A Substância nos oferece uma reflexão profunda sobre o medo do corpo, da perda de controle e da vulnerabilidade humana. A partir das lentes da psicanálise, especialmente pelas contribuições de Freud, Lacan e Kristeva, podemos interpretar o body horror como uma forma de externalizar ansiedades inconscientes sobre a identidade, a integridade física e a mortalidade. A transformação grotesca do corpo, retratada no filme, simboliza medos profundos e universais, sendo o body horror uma metáfora poderosa para o terror existencial que todos nós enfrentamos.

Afinal, Guaíba é rio ou lago?

Saúde e Espiritualidade

Não existe consenso científico em torno da definição do Guaíba como rio ou lago, porque este tem comportamento dual, afirmou nesta quinta-feira (16) o professor Joel Avruch Goldenfum, diretor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS). "As margens se comportam bem como lago, principalmente envolvendo questões de recirculação, baixa profundidade, sendo basicamente bidimensional, ou seja, não existe direção predominante. O rio tem uma direção como se fosse uma linha.

No lago, a água fica girando", exemplifica. De acordo com Goldenfum, no meio do Guaíba passa um canal grande, de onde vêm águas do Rio Jacuí, que drena 80 mil quilômetros quadrados, ou um terço das águas do estado. "É muita água; então, tem uma corrente importante. Por isso, pessoas argumentam que um lago pode ter um rio passando por ali. Só que, muitas vezes, o comportamento é predominante como rio e, outras vezes, pode ser predominante como um lago", detalha. 

Para ele, em termos de modelagem, de variação de níveis, de como o Guaíba enche ou esvazia, pouco importa se vão chamá-lo de lago ou de rio. O que importa é modelar os processos. "Porque, na verdade, vou modelar o sistema considerando todas as influências que ele tem, considerando o que acontece quando ele sobe, onde ele recircula etc", disse Goldenfum que também ressaltou, contudo, que existem outras questões envolvidas que são mais de questão legal e que mudam o problema.

Interpretações


De acordo com a legislação, se o Guaíba for um rio, tem de ter um recuo não edificado muito grande que, dependendo do local, pode variar de 100 metros a 500 metros. Ninguém tiraria o que já existe, mas não poderia edificar novas construções. Se for considerado lago, a área não edificada varia entre 10 metros e 30 metros, dependendo das interpretações. "Existem interpretações distintas sob o ponto de vista científico, sem se preocupar com a questão legal, e pessoas que dizem que o Guaíba se comporta predominantemente como rio, ou predominantemente como lago. Quem chega primeiro dá o nome", afirma o professor. Goldenfum lembrou que o nome dos biomas aquáticos é dado pela população. "A população sempre chamou de rio Guaíba. De repente, houve essa movimentação, que pode ter tido motivação técnica, no sentido de que o Guaíba seria predominantemente lago, ou pode ter outras motivações. O consenso não existe, por isto Guaíba tem comportamento dual", reafirmou o professor.

Por outro lado, existe um movimento legal, capitaneado pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais, para que o Guaíba tenha uma faixa de proteção permanente. Há também uma ação civil pública questionando a definição do Guaíba como lago. "Quem vai decidir isso, no final das contas, vai ser a Justiça, e não a ciência", disse Goldenfum. Até os anos de 1990, o Guaíba foi considerado rio. A partir daí, passou a ser definido como lago.

Oficialmente, a prefeitura de Porto Alegre assumiu recentemente o Guaíba como lago. Inclusive, existe o Comitê da Bacia do Lago Guaíba. O coordenador-geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre e também da UFRGS, Rualdo Menegat, afirma que a polêmica geográfica em torno do rio ou lago Guaíba e da lagoa ou laguna dos Patos não se justifica. Menegat afirmou que, do ponto de vista da ciência, o correto é chamar de lago Guaíba. "Não temos dúvida sobre isso. Mas há também o nome mais popular, que é rio Guaíba", contextualiza.

Segundo o geólogo, nos últimos 20 anos, o nome lago Guaíba tem sido mais usado porque as pessoas foram se convencendo que ele, na verdade, funciona como um lago. "Também é importante que as pessoas se conscientizem pelo nome correto, porque aquilo que a gente joga em um lago fica ali. Aquilo que se joga no rio, as pessoas pensam que é um problema do vizinho de baixo", relata. Por isso, insistiu que do ponto de vista da gestão ambiental, é importante que se usem conceitos corretos porque estes são os que os professores vão ensinar na sala de aula. O Guaíba é definido como um lago aberto que recebe água da rede fluvial, formada por quatro rios [Jacuí, do Sinos, Caí e Gravataí] que afluem para o lago Guaíba, que, por sua vez, também escoa essa água para a laguna dos Patos, pois está conectado com ela.

Fonte: Amanhã


Explorando a Ocitocina: O Hormônio do Amor

Saúde e Espiritualidade Holística

Ocitocina é um hormônio vital no corpo humano, promovendo sensações reconfortantes durante interações sociais e físicas.

Também conhecida como o "hormônio do amor", a ocitocina, em conjunto com outros neurotransmissores, reduz os níveis de ansiedade e estresse em interações sociais. Além disso, está associada ao desenvolvimento de confiança, generosidade e empatia, contribuindo para a satisfação sexual tanto em homens quanto em mulheres.

Além de seu papel nas interações sociais, a ocitocina desempenha funções essenciais na reprodução, como a secreção do leite materno e a facilitação das contrações uterinas durante o parto.

Uma pesquisa recente publicada na revista iScience revelou que este hormônio é fundamental na formação de laços sociais. Durante o estudo, a ocitocina foi administrada a leões, resultando em comportamentos mais amigáveis entre os animais.

Isso ocorre porque a ocitocina regula a expressão de comportamentos sociais e emocionais, sendo proposta como tratamento farmacológico para doenças psiquiátricas, como autismo e esquizofrenia.

Hormônios e Comportamento: Uma Perspectiva Integral


Os hormônios produzidos pelo corpo desempenham funções vitais nos processos biológicos e influenciam diretamente o comportamento e o humor.

Essas substâncias químicas atuam como mensageiros no organismo, regulando diversos processos metabólicos. Viajando pela corrente sanguínea, controlam o desenvolvimento, equilíbrio interno e bem-estar. No entanto, alterações hormonais podem ter impactos significativos na saúde e no comportamento.

Embora muitos acreditem ter controle total sobre suas ações e pensamentos, somos influenciados pelos níveis hormonais do corpo. Desequilíbrios hormonais podem levar a condições como depressão e alterações na percepção da realidade.

Principais Hormônios e suas FunçõesTestosterona (hormônio masculino)
  • Progesterona (hormônio feminino)
  • Adrenalina (estimula o sistema nervoso simpático)
  • Dopamina (responsável por sensações de motivação e prazer)
  • Insulina (regula a absorção de glicose pelas células)
  • Melatonina (regula os ritmos do corpo, principalmente o sono)
  • Serotonina (regula o apetite e a atividade sexual)

A Molécula da Moralidade


Paul Zak, pós-doutor em Neuroimagem pela Universidade Harvard e autor do livro "A Molécula da Moralidade", argumenta que existe uma base biológica para as ações morais.

Conhecido como Dr. Amor, Zak apresenta resultados de seus estudos, que destacam o papel da ocitocina na promoção de comportamentos morais, como confiabilidade, sacrifício, generosidade e empatia, bem como o respeito às leis. Assim, a molécula da ocitocina contribui para o debate sobre a natureza humana.

Em seu TED Talk, Zak descreve como descobriu essa "molécula moral", examinando as decisões das pessoas em relação ao dinheiro para entender sua tomada de decisões, um campo que ele chama de neuroeconomia.

Por meio de seus estudos, Zak demonstrou que a manipulação da química cerebral pode tornar as pessoas mais moralmente inclinadas.


Explorando o Potencial do Lado Direito do Cérebro na Saúde e Espiritualidade Holística

Saúde e Espiritualidade Holística

No mundo da saúde e espiritualidade holística, entender o funcionamento do cérebro humano é crucial. Uma área de particular interesse é o lado direito do cérebro, conhecido por suas funções criativas, intuitivas e emocionais. Neste artigo, exploraremos o papel do lado direito do cérebro na saúde e no bem-estar holísticos, destacando suas principais funções e como elas se relacionam com a espiritualidade e o autocuidado.

O cérebro humano é dividido em duas metades, com o lado direito desempenhando funções distintas e complementares ao lado esquerdo. Enquanto o lado esquerdo é mais analítico e verbal, o lado direito é associado a habilidades como percepção espacial, criatividade e expressão emocional.

O lado direito do cérebro nos ajuda a compreender formas tridimensionais e a nos orientar no espaço, é o centro da imaginação e inovação, permitindo-nos encontrar soluções originais para problemas., responsável por interpretar e expressar emoções, tanto verbalmente quanto através de linguagem corporal.

Conhecido como o centro da intuição, nos permite compreender instantaneamente sem depender do raciocínio lógico. Muitas habilidades artísticas, como pintura, música e dança, são dominadas pelo lado direito do cérebro.

Compreensão de Metáforas e Humor: Ajuda na interpretação de figuras de linguagem e humor, elementos essenciais na comunicação e na expressão.

Muitas práticas espirituais e holísticas valorizam o desenvolvimento e a integração das habilidades associadas ao lado direito do cérebro. A percepção espacial é essencial em meditações que buscam expandir a consciência. A criatividade é vista como uma forma de se conectar com o divino e expressar a alma. A intuição é valorizada como uma ferramenta para a orientação espiritual e a compreensão intuitiva da verdade interior.

Integrar atividades que estimulem o lado direito do cérebro em nossa rotina diária pode promover um maior equilíbrio e bem-estar. Práticas como arte terapia, meditação criativa, dança e música podem nutrir essa parte do nosso ser e nos ajudar a acessar um estado de fluxo e conexão espiritual.

O lado direito do cérebro desempenha um papel essencial na saúde e espiritualidade holísticas, oferecendo uma janela para a criatividade, intuição e expressão emocional. Ao integrar atividades que nutrem essa parte de nós mesmos, podemos alcançar um maior equilíbrio e bem-estar em nossas vidas, conectando-nos mais plenamente com nossa essência espiritual e potencial criativo.

Se você está interessado em explorar mais sobre o lado direito do cérebro e seu impacto na saúde holística, entre em contato conosco para descobrir práticas e recursos que podem enriquecer sua jornada espiritual e de autocuidado.

Explorando a Fronteira entre Saúde Mental e Espiritualidade Holística

Saúde e Espiritualidade Holística

A interseção entre saúde mental e espiritualidade holística é um tema intrigante e complexo, e o podcast "PSICANALISTA: DOENÇAS MENTAIS NÃO EXISTEM | Lutz Podcast" oferece uma perspectiva crítica sobre essa conexão. Neste artigo, exploraremos os principais insights apresentados, questionando conceitos tradicionais e destacando a importância de uma abordagem holística para compreender e tratar as questões de saúde mental.

1. Desafiando Conceitos Tradicionais: O podcast inicia provocando uma reflexão profunda sobre a natureza das doenças mentais, questionando se elas podem ser verdadeiras doenças. Desafia a concepção convencional de doenças como processos biológicos com início, meio e fim, sugerindo que essa definição pode não ser aplicável aos transtornos mentais.

2. Marcadores Biológicos e a Subjetividade dos Transtornos Mentais: Uma distinção crucial é feita entre doenças tradicionais, com marcadores biológicos identificáveis, e transtornos mentais, que carecem de testes definitivos. Destaca-se a subjetividade desses transtornos, onde os diagnósticos não dependem da descrição, diferentemente das doenças biológicas.

3. Evolução dos Diagnósticos Psiquiátricos: O podcast aborda a evolução histórica dos diagnósticos psiquiátricos, destacando o DSM-5 e a adoção de convenções para padronizar diagnósticos em diferentes contextos culturais. Levanta questionamentos sobre a validade de categorizar transtornos com base em critérios convencionais.

4. Sofrimento Psicológico e Convenções de Nomenclatura: Explora-se o impacto das convenções de nomenclatura no sofrimento psicológico, ressaltando a influência da interpretação e rótulos nas experiências individuais. Questiona-se a prática de rotular condições mentais como transtornos e enfatiza a importância de informar sobre a natureza arbitrária dessas convenções.

5. Crítica à Medicalização e Abordagens de Tratamento: Uma crítica contundente é direcionada à medicalização da saúde mental e ao uso excessivo de medicamentos, sem considerar o contexto mais amplo da vida dos indivíduos. Destaca-se a necessidade de uma abordagem holística, considerando não apenas os sintomas, mas também as formas de vida, relações e a espiritualidade.

O podcast oferece uma visão desafiadora e crítica sobre a relação entre saúde mental e espiritualidade holística. Ao questionar conceitos tradicionais, destacar a importância das convenções de nomenclatura e criticar abordagens excessivamente medicalizadas, ele instiga uma reflexão profunda sobre como compreendemos e tratamos as questões de saúde mental. Em um mundo onde a espiritualidade e a saúde mental se entrelaçam, a abordagem holística proposta no podcast pode oferecer novas perspectivas e caminhos para o bem-estar integral.

Para mais insights sobre saúde mental e espiritualidade holística, xxplore as fronteiras do entendimento tradicional e embarque em uma jornada de reflexão sobre o equilíbrio entre corpo, mente e espírito.

Estudo revela interações entre câncer e células imunológicas


Foram analisadas milhares de amostras em 32 tipos de câncer

Imagem: Christoph Burgstedt/Adobe Stock

Pesquisadores do Francis Crick Institute e do King’s College London revelaram as complexas interações entre o câncer e as células imunológicas que cercam um tumor, com o potencial de informar como os pacientes responderão à imunoterapia.

No estudo, publicado na revista Genome Medicine, os pesquisadores analisaram milhares de amostras em 32 tipos de câncer para examinar a maneira como a doença interage dinamicamente com o microambiente imunológico do tumor (TIME), permitindo que a enfermidade floresça.

O câncer evolui dentro do TIME, esculpido pelas células cancerígenas e, por sua vez, esculpe o genoma do câncer.

Essas interações dinâmicas têm impacto significativo sobre como o câncer se desenvolve e responde a tratamentos, como a imunoterapia.

Obter maior compreensão da interação câncer-sistema imunológico é, portanto, crucial para entender a biologia do câncer.

Etapas da pesquisa
  • Os pesquisadores se concentraram em classe de genes chamados de condutores de câncer, porque, quando alterados, eles ajudam a conduzir a doença;
  • Eles identificaram 477 desses condutores que interagem com vários recursos do TIME, sugerindo que eles impulsionam a formação do câncer interrompendo os processos biológicos dentro da célula, bem como interferindo no sistema imunológico;
  • O estudo também delineou a maneira como duas classes distintas de condutores de câncer, supressores de tumor e oncogenes, operam dentro do TIME;
  • Os supressores tumorais são genes que, quando inativados, auxiliam no desenvolvimento do câncer, enquanto os oncogenes precisam ser ativados para promover o câncer.

Descobertas
  • O estudo revelou que as alterações nos supressores de tumor são prevalentes em tumores com alta infiltração imune (quando as células imunes entram no tumor), provavelmente ajudando o tumor a escapar do sistema imunológico.
  • Os oncogenes são predominantes em tumores com baixa infiltração imune, sugerindo um efeito oposto no TIME.
  • Como os tumores com altos níveis de infiltração imunológica respondem bem à imunoterapia, esta pesquisa mostra que a carga de fatores alterados do câncer pode ser usada como biomarcador preditivo da resposta à imunoterapia.
Nosso estudo revela como as alterações genéticas impulsionam a evolução do câncer, interferindo não apenas nos processos dentro das células cancerígenas, mas, também, no sistema imunológico. Podemos explorar esse conhecimento para prever quem responderá à imunoterapia contra o câncer e interferir diretamente com esses genes para aumentar a resposta imune.Francesca Ciccarelli, professora, principal líder do grupo do Laboratório de Biologia de Sistemas de Câncer no Crick e autora sênior do estudo

Os pesquisadores também reconstruíram toda a cascata de eventos que ligam as alterações genéticas de fatores específicos do câncer às modificações do TIME a jusante.

Eles se concentraram no câncer de cabeça e pescoço, tipo de tumor que não responde bem à imunoterapia. Desenvolveram abordagem computacional baseada na biologia de sistemas, que lhes permitiu explicar os mecanismos pelos quais os condutores genéticos do câncer de cabeça e pescoço modificam o sistema imunológico.

Nossa análise descobriu ligações entre as causas do câncer e as alterações imunológicas nos cânceres de cabeça e pescoço. O mecanismo que impulsiona a alta infiltração imunológica em subconjunto de cânceres de cabeça e pescoço pode ser direcionado para o tratamento de imunoterapia. Hrvoje Misetic, cientista visitante do Crick e primeiro autor do estudo

Com informações de Medical Xpress

Nova geração de vacinas que previnem o câncer pode eliminar tumores antes de se formarem


Quando Dave Dubin soube aos 29 anos que tinha câncer de cólon, não foi uma grande surpresa. Seu avô e seu pai sobreviveram à doença. "Era quase o caminho dubin, e nós apenas continuamos", diz Dubin. Ele fez cirurgia e quimioterapia, mas seu câncer voltou 10 anos depois. Testes genéticos finalmente encontraram uma explicação para os testes de sua família: uma mutação em um gene de reparação de DNA que permite que erros genéticos se amontoem na divisão das células. A doença, síndrome de Lynch, vem com um risco de 70% de câncer ao longo da vida.

Dubin, 55 anos, recebe colonoscopias anuais, endoscopias e exames de imagem, que pegaram um terceiro câncer, em seu rim. Seu filho mais velho, Zach Dubin, 26, herdou a mutação de reparação de DNA e também é regularmente examinado para câncer. "Não é divertido. Ninguém gosta disso", diz Dave Dubin — não a preparação e procedimento de colonoscopia de 2 dias, nem a preocupação com possíveis tumores. A doença também o transformou em um ativista. Ele e sua família em Haworth, Nova Jersey, lançaram uma organização sem fins lucrativos, AliveAndKickn, para promover a pesquisa e a conscientização da síndrome de Lynch, que afeta cerca de 1,1 milhão de pessoas nos Estados Unidos.

"Há muita ansiedade nessa população de pacientes", diz o oncologista e geneticista Eduardo Vilar-Sanchez, do Centro de Câncer MD Anderson. "É um grande fardo psicológico." Na esperança de aliviar essa tensão, Vilar-Sanchez em breve liderará um teste clínico de uma vacina para prevenir ou pelo menos retardar os cânceres relacionados a Lynch. Se funcionar, Dave Dubin diz, "pode ser enorme."

Vacinas para prevenir certos tipos de câncer já existem. Eles têm como alvo vírus: o vírus da hepatite B, que pode desencadear o câncer de fígado, e o papilomavírus humano, que causa câncer cervical e alguns outros. Mas a maioria dos cânceres não são causados por vírus. O teste da vacina Lynch será um dos primeiros testes clínicos de uma vacina para prevenir cânceres não-virais.

A ideia é entregar no corpo pedaços de proteínas, ou antígenos, de células cancerosas para estimular o sistema imunológico a atacar quaisquer tumores incipientes. O conceito não é novo, e enfrentou ceticismo. Há uma década, um editorial da Nature descartou o objetivo de um grupo proeminente de defesa do câncer de mama de desenvolver uma vacina preventiva até 2020 como "equivocada", em parte devido à complexidade genética dos tumores. O editorial chamou a meta de "objetivo que a ciência ainda não pode cumprir". Mas agora, algumas equipes — incluindo uma financiada pelo mesmo grupo de advocacia, a National Breast Cancer Coalition (NBCC)— estão prontas para testar vacinas preventivas, em alguns casos, em pessoas saudáveis com alto risco genético para câncer de mama e outros. Seus esforços foram impulsionados por novas percepções sobre as mudanças genéticas nos primeiros cânceres, juntamente com o reconhecimento de que, mesmo tumores nascentes podem suprimir o sistema imunológico, as vacinas devem funcionar melhor em pessoas saudáveis que nunca tiveram câncer.

Fonte: Science